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Amor próprio – para ter, precisa se conhecer

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O amor próprio e o autoconhecimento andam de mãos dadas. Mas, para desvendar essa relação complexa, precisamos entender o cérebro, que continua a se moldar até a vida adulta.

Até os 7 anos, atravessamos uma fase fundamental em que os neurônios estabelecem conexões e se fortalecem. Esse processo possibilita o desenvolvimento dos pensamentos e das emoções.

É nesse período que nosso cérebro pode ser comparado a um favo de mel vazio, pronto para ser preenchido e moldado pelas experiências e aprendizados.

Homem vestindo uma camisa social e gravata, com expressão aflita e a mão na cabeça, enquanto uma versão em miniatura de si mesmo, visivelmente crítica, repousa em seu ombro. A cena retrata uma sensação de angústia e ausência de autoestima, transmitindo a ideia de um conflito interno e a autocrítica prejudicando o amor próprio.
A jornada mais importante é aquela em direção ao meu próprio amor. Créditos: Dreamstime.com.

Nessa fase somos mais suscetíveis a absorver…

… o que nos é dito. A mente infantil é como uma esponja, absorvendo informações de forma indiscriminada.

Sem a capacidade de distinguir entre o que é positivo ou negativo, gravamos na memória todos os acontecimentos e palavras que nos dizem as pessoas a nossa volta.

Essa falta de capacidade de avaliação na infância pode ter consequências mais tarde, refletindo-se na formação da personalidade, no comportamento e, principalmente, na construção do amor próprio.

Ou seja, a mente guarda as experiências…

… que vivenciamos, tanto as positivas quanto as negativas. Daí surge uma reflexão inevitável: será que a falta de amor próprio em alguém não é, em parte, resultado de eventos do passado?

A reflexão se impõe, nos convidando a investigar as origens da nossa própria percepção e a reconhecer a influência indelével dos primeiros capítulos na nossa história.

Para dar vida a essa ideia, deixe-me narrar um conto de uma garota cujo nome é Alice, que, após uma longa busca, começou a reconhecer o seu valor e a recuperar seu amor próprio.

Seus pais não poupavam palavras. Para eles, ela era sempre “alta demais”, “magra demais” ou “feia demais”.

Desde cedo, Alice recebeu muitas críticas…

… a si mesma. Quanto aos colegas, a situação não melhorava em nada, e frequentemente era bombardeada de comentários, como “nerd“, “chata” e outros adjetivos ainda menos amigáveis.

Assim, com o passar do tempo, Alice incorporou essas palavras como se fossem verdades incontestáveis. Ela passou a se ocultar de seu próprio reflexo, a se esconder do vasto mundo que a cercava.

Porém, as circunstâncias davam sinais…

… de transformação. Certo dia, enquanto vagava pelas vielas de seu bairro, Alice deparou-se com uma borboleta colorida, retorcendo-se habilmente entre as folhas verdes de uma murta.

Um turbilhão de autocrítica varreu os pensamentos dela. Naquele instante, a jovem começou a se questionar se seria capaz de incorporar um pouco da beleza daquela encantadora criatura.

A borboleta, ao notar sua presença, pôs-se a falar com uma voz impregnada de sabedoria acerca do amor próprio.

“Querida Alice”, começou…

“Não permita que palavras desprovidas de sabedoria ditem quem você é. Durante minha metamorfose, atravessei fases duvidando da minha transformação, não acreditando que seria bela e voaria”.

Essas palavras ressoaram na mente de Alice, levando-a a questionar se o que ouvia era realmente a verdade. A borboleta prosseguiu:

“Sabe, assim como eu, que em tempos passados era só uma lagarta, você possui o potencial de se transformar em algo extraordinário… A verdadeira beleza reside na jornada, e nas mudanças no caminho”.

Continuando a vagar pelas vielas de seu bairro,…

… Alice ainda sentia uma centelha de incerteza em seu coração, mas não se deixou deter. Seguiu em frente até deparar-se com um caramujo que rastejava com paciência sobre uma pedra.

Intrigada, Alice resolveu compartilhar seus pensamentos com o caramujo. “Amigo caramujo”, iniciou Alice, “você está sempre na sua, tão tranquilo. Eu gostaria de ter essa calma, essa aceitação”.

O caramujo levantou seus olhos, que se esticaram como elástico, e replicou: “Na lentidão descubro a beleza do caminho. Cada passo é aventura e a verdadeira essência está na jornada, não na pressa de chegar lá”.

Inspirada pelas palavras da borboleta e…

… do caramujo, Alice seguiu em frente. No entanto, um sussurro de incerteza ainda flutuava ao seu redor, como uma sombra que teimava em não desaparecer. A certeza que Alice buscava parecia escorregar entre seus dedos.

Nesse vai e vem, lá estava Alice, seguindo adiante até deparar-se com uma pequena flor, delicada, mas irresistivelmente encantadora.

Admirada, contemplou a flor e murmurou consigo mesma: “Essa flor é linda, mas ela também é frágil. Pode se quebrar com facilidade. Mas ela ainda é linda, mesmo sendo frágil”.

E assim foi…

Depois de se deparar com a flor, Alice encontrou um velho espelho que não só refletia sua imagem física, mas também os ecos distorcidos dos pensamentos negativos que martelavam em sua mente.

Diante do espelho, as críticas dos agressores transformaram-se em suas próprias palavras, ecoando no silêncio do reflexo.

Um aperto de angústia se fez presente, contudo, um sentimento profundo começou a emergir, instigando-a a encarar esses pensamentos e a descobrir a sua própria voz interior. Alice aprendera a se valorizar.

“Eu sou incrível”, sussurrou para a imagem refletida, …

… quebrando os grilhões dos antigos e familiares diálogos. Nesse instante, o velho espelho parecia refletir não apenas sua aparência, mas também capturava a verdadeira essência que desabrochava dentro dela.

A borboleta, o espelho, o caramujo e a flor, cada encontro em sua caminhada…

Cada peça desse intricado quebra-cabeça a guiou em direção à resolução interior. No silêncio desse encontro, Alice finalmente desvendou o segredo do amor próprio.

O efeito das críticas na vida de Alice

Conforme Alice enfrentava críticas, especialmente daqueles que deveriam zelar por sua autoestima e amor próprio, as palavras ásperas transformavam-se em uma tormenta incessante.

As críticas vindas das pessoas mais próximas eram como punhais penetrando fundo em sua inocente alma.

A psicologia infantil, em sua complexidade, nos revela que Alice, sendo uma criança, sucumbiu a um fenômeno denominado por Wilhelm Reich de “Antropofagia do Agressor”.

Esse ato refere-se à internalização das críticas e ataques recebidos

Em outras palavras, é como um ciclo destrutivo ou mesmo autodestrutivo no qual a vítima acaba agindo contra si mesma, perpetuando as palavras negativas que absorveu.

Enfrentando esse processo doloroso, Alice começou a se avaliar criticamente, repetindo as mesmas palavras que tinha escutado antes, impedindo-a de se valorizar.

A ironia estava no fato de que aqueles que deveriam incentivá-la a cultivar o amor próprio foram os mesmos que contribuíram para seu autodesprezo.

A caminhada reservava algo ainda mais profundo

O Universo parecia entender que Alice precisava passar por tais desafios para se transformar na “borboleta linda e que voava”, como se antecipasse à metamorfose que ocorreria em seu interior.

Essa criatura alada, cheia de sabedoria e envolta em cores vibrantes, soltou palavras que ressoaram na mente de Alice.

A borboleta a encorajou a não permitir que palavras desprovidas de sabedoria ditassem sua identidade, pois assim como ela, a borboleta, Alice tinha o potencial de se transformar em algo extraordinário.

Inspirada pelas palavras da borboleta, ela encontrou um caramujo

O caramujo, em sua paciência, revelou a importância de abraçar a lentidão da jornada, onde cada passo é uma aventura, e a verdadeira essência está na caminhada, não na pressa de chegar ao destino.

Contemplando uma delicada flor, cuja fragilidade contrastava com sua radiante beleza, Alice enfim desvendou o segredo do amor próprio.

E, ao refletir as próprias críticas de Alice, o espelho provocou um confronto interno, possibilitando que ela identificasse e transcendesse os padrões prejudiciais de pensamento.

Assim, cultivar o amor próprio é alcançável

Agora, me conta, quais têm sido os teus esforços para nutrir esse sentimento gostoso de amor próprio? Se ainda não começou, que tal começar hoje mesmo?

Faça uma lista de coisas que você gosta em você, de seus pontos fortes e qualidades. Em seguida, redija uma carta para si mesmo, expressando o que você aprecia nessa pessoa que é você.

Pequenos gestos como esses detêm a capacidade de reverberar significativamente em sua própria existência. Para isso, é necessário romper padrões, se autoconhecer, assim como Alice fez para se valorizar.

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