A maioria das grandes ideias compartilha algo em comum: elas nascem da criatividade. Compreender esse fato é fundamental, pois a criatividade é importante tanto no âmbito profissional quanto na vida pessoal.
A boa notícia é que qualquer um pode desenvolver sua criatividade, e vou compartilhar cinco passos para te ajudar nesse processo.
Mas é importante destacar que isso não é algo que acontece da noite para o dia. Ser inovador requer coragem e dedicação à prática.

O caso de William Henry Fox Talbot
Em 1800, jornais e gráficas estavam diante de um impasse: a fotografia. As demandas dos leitores por mais imagens aumentavam, porém, imprimir rápido e sem gastar muito ainda era um dilema.
Imagine só: se um jornal quisesse imprimir uma foto naquela época, tinha que contratar um fotógrafo para capturar novas imagens e, assim, imprimi-las em suas edições.
Era um processo extremamente caro, no qual capturar uma única foto exigia tempo e dinheiro para transportar com segurança as máquinas de um local para outro.
O processo era um verdadeiro quebra-cabeça, …
… além de custar uma fortuna. Mas aí a criatividade de um cara chamado Wiliam Fox Talbot entrou em cena. William foi o cérebro por trás de uma criação que continua sendo fundamental: o calótipo.
Esse método é responsável por tornar a reprodução de imagens em jornais, revistas e outros materiais impressos muito mais eficiente e econômica. Como isso acontece na prática?
O calótipo usava negativos, o que possibilitava a criação de várias cópias positivas a partir de um único negativo. Isso tornava o processo mais prático, já que não era preciso criar um novo negativo para cada cópia.
Um desafio que requer uma solução criativa
Talbot começou sua carreira na Universidade de Cambridge, na Inglaterra, e se formou em Matemática durante os anos de 1818 a 1821.
Após passar três anos no campo, em 1823, ele começou a estudar fotografia e continuou a se aperfeiçoar nessa área. Antes disso, ele fez uma pausa para viajar pela Europa por alguns anos.
Em seus experimentos, ele aprendeu sobre as propriedades fotossensíveis da luz e dos materiais, além de descobrir que o cloreto de prata, substancia originalmente branca, escurece quando exposta à luz.
Assim foi, e em 1835, sua genialidade…
… ganhou força total. Em uma espécie de momento “eureka”, Talbot teve uma ideia revolucionária para aprimorar a fotografia. E a criatividade dele estava apenas começando…
Talbot teve um Insight sobre as propriedades fotossensíveis da luz e do cloreto de prata. Essa percepção resultou no desenvolvimento do caltipo, que se tornou um marco significativo na história da fotografia.
E foi exatamente o que ele fez. Em 1835, ele inventou o calótipo, um processo fotográfico que resultava em imagens negativas que podiam ser usadas para criar cópias positivas.
Mas ele não parou por aí
Talbot seguiu experimentando com seu método, e em 1840, ele aprimorou a fotogravura, um processo que possibilitava a impressão de fotos em papel.
A fotogravura era mais econômica e eficaz do que o calótipo, contribuindo para popularizar a fotografia como a conhecemos hoje.
Agora que entendemos a incrível jornada criativa de Talbot, vamos pensar nas lições que podemos tirar dela.
Libertando a criatividade
Na década de 1940, um publicitário de nome James Webb Young publicou um guia intitulado “A Technique for Producing Ideas”.
Neste guia, Young fez uma afirmação simples, mas considerável, sobre criatividade. De acordo com ele, ideias inovadoras surgem quando encontramos novas combinações de elementos antigos.
Em outras palavras, ser criativo não exige necessariamente criar algo totalmente novo a partir do zero. Envolve, na verdade, pegar o que já existe e combiná-lo de maneiras diferentes e originais.
E, o que é ainda mais crucial…
Ser inovador e criar novas combinações depende da nossa habilidade para reconhecer conexões entre ideias.
Young acreditava que esse processo de conexão se desenrola em cinco etapas: começando pela primeira: (1) coleta de informações ou novos materiais.
Nesse estágio, a ênfase está na aprendizagem. É preciso se concentrar em aprender algo específico relacionado à sua tarefa, enquanto também amplia seus horizontes explorando diversos conceitos gerais.
Após isso…
(2) Deve-se analisar as ideias que estão na sua cabeça. É o momento de revisar o que você aprendeu, examinar os fatos sob diversas perspectivas e tentar conectar diferentes conceitos.
Após essa etapa, é (3) hora de se desconectar do problema. Deixe-o de lado e se envolva em algo que o estimule. Vá ao teatro, vá à praia… é o tempo da gestação de uma nova ideia.
Na quarta fase, (4) permita que a ideia volte até você. É comum isso ocorrer espontaneamente, após ter dado tempo ao problema. A nova ideia nascerá como uma sacada, um Insight
E por último…
(5) Desenvolva e dê forma à sua ideia com base em Feedback. Para que qualquer ideia seja bem-sucedida, é fundamental compartilhá-la com o mundo, sujeitá-la a críticas e fazer os ajustes necessários.
E como isso se aplica na prática? Bem, o processo criativo que William Talbot utilizou é um exemplo perfeito desses cinco passos em ação.
Primeiro, Talbot se lançou de cabeça em novos conhecimentos. Ele investiu três anos de sua vida na matemática e, depois, concentrou o restante no aprimoramento de novas técnicas fotográficas.
Tudo isso serviu de base para o que estava por vir…
Segundo, em 1821, Talbot dedicou seu tempo a testar e explorar novas maneiras de combinar conceitos. Ele uniu duas ideias revolucionárias para época: a câmara escura e a sensibilidade da prata à luz.
Terceiro, Talbot, então, interrompeu o processo. Após terminar seus estudos em Cambridge, ele viajou pela Europa por alguns anos. Com isso, entrou na fase da gestação da nova ideia.
Quarto, ao retornar Inglaterra em 1823, ele começou a se dedicar ao estudo da fotografia. Neste período, foi que ele teve sua sacada, a inspiração para, então, criar algo grandioso, o calótipo.
O poder da criatividade
Ser inovador significa pensar de maneira criativa, buscando conexões entre ideias antigas. Portanto, podemos dizer que o pensamento criativo envolve a identificação dessas relações entre conceitos.
Uma maneira de enfrentar esses desafios é seguir um processo de cinco etapas: coletar materiais, trabalhar com eles, se desconectar do problema, permitir que a ideia retorne e testá-la no mundo real.
Mas aqui, um aviso importante: é simples se apegar à primeira versão da ideia, mas as grandes ideias sempre passam por um processo de evolução.