Cidadão Kane é o melhor filme de todos os tempos, segundo o American Film Institute. É a história dramática de um menino cujos pais o vendem para um banqueiro.
O objetivo deste artigo não é a história do protagonista. Eu vou mostrar alguns trechos, para ressaltar que tudo é movido pela dor de perda insuportável que ele vivenciou.
O objetivo é mostrar o que essa Emoção Insuportável gerou nele, levando-o a um final dramático. E que esse conhecimento é capaz de acabar com os dramas de tantas vidas.

Fonte: Cidadão Kane | Dreamstime.com
Para isso, vou citar trechos do filme Cidadão Kane
No filme Cidadão Kane, há cenas que ilustram com precisão qual é a mudança criada no emocional do Cidadão Kane por uma Emoção Insuportável.
Vou mostrar que é essa mudança o que cria tantos dramas em nossas vidas. E vou poder ilustrar isso com as próprias cenas da vida do Cidadão Kane.
O que acontece entre o momento em que se sente a emoção insuportável e os dramas criados não foi descoberto por ter ficado escondido sob a expressão “Autossabotagem”.
Isso permite acabar o que chamam de Autossabotagem
Vou apresentar três conceitos que mostram o que leva uma pessoa ao fracasso afetivo ou ao financeiro, por exemplo, a partir da vivência de uma Emoção Insuportável.
Esses três conceitos mostram o que gerou o problema emocional que, por sua vez, alterou o funcionamento emocional da pessoa em sua vida, até chegar ao fracasso.
São eles, Emoção Insuportável, Aderência de uma Emoção Insuportável e o Foco de Medo. Há um quarto conceito, o Restaurador de Configurações e que trato em outro artigo. Vamos à história.
Cidadão Kane vivenciou uma emoção insuportável
No começo do filme, o menino Kane estava brincando na neve e alguém o separou do trenó, contra a sua vontade. Nessa ocasião, ele se agarrou ao trenó, tentando controlar a situação.
No seu trenó estava escrito a palavra Rosebud e, ao se separar dele, foi separado também de seu pai e de sua mãe. Ele foi dado ao banqueiro que pagou para adotá-lo.
A memória do trenó foi o que restou da vida que teve com os pais, antes de ter a dor da perda Insuportável. Essa foi a Emoção Insuportável que o marcou por toda a vida.
Qual é a marca deixada por uma emoção insuportável
A energia dessa emoção adere ao corpo. E, devido à intensidade da dor, um circuito neuronal fica memorizado no cérebro, de imediato. (Vídeo ilustrativo de 48 s)
É como se a aderência de energia da emoção alertasse o cérebro dizendo: “Para sobreviver, você não pode voltar a sentir essa emoção”. E, para isso, é preciso tensionar o trajeto por onde ela passa.
Esse circuito neuronal memorizado é chamado de Engrama. E por ser um alerta de uma emoção insuportável, eu o chamei de Foco de Medo.
O que isso gerou na vida do Cidadão Kane
A vida dele passou a ser movida pelo medo de perda afetiva e pela compulsão de controlar – como tentou com o trenó.
Porque, conforme a ordem do Foco de Medo, para sobreviver, ele precisaria controlar o outro para as decisões do outro não gerarem nele a dor da perda insuportável.
Isso foi como o Cidadão Kane passou a funcionar. Mas, por trás disso, está a atuação conjunta do Foco de Medo e da Aderência da Emoção Insuportável, para controlar as emoções.
Como é feito esse controle das emoções
O Foco de Medo tensiona o trajeto muscular por onde passou e passaria a emoção insuportável. Isso evita que ela passe novamente.
Mas tem dois efeitos catastróficos. Um é que a emoção oposta e agradável passaria pelo mesmo trajeto. Seria o sentimento de ser amado, o que solucionaria o seu medo de perda.
O segundo é que essa Aderência da Energia de Emoção Insuportável mantém a pessoa com o medo que ela contém, no caso do Cidadão Kane, o da perda afetiva.
É contraditório evitar e gerar o mesmo medo?
Parece contraditório atuar para não passar novamente aquela emoção insuportável e, ao mesmo tempo, atuar para manter a pessoa com o mesmo tipo de medo.
O segredo está na diferença da intensidade do medo. O medo semelhante, mas menos intenso, mantém a ameaça presente e, portanto, o trajeto muscular tenso.
No caso do Cidadão Kane, era difícil ele se sentir amado e, por outro lado, com frequência, sentia o medo de perda.
Então, ele agia como agiu com o trenó: controlando as pessoas.
Como isso materializou o futuro do Cidadão Kane?
Os sentimentos e as ações do Cidadão Kane eram dirigidos por dois Focos de Medo. Um criado pelo sentimento de dor de perda insuportável, devido à perda dos pais.
E o outro, pela emoção dolorosa de não conseguir controlar seu destino, já que quando o separaram do Rosebud, o separaram para seguir um destino que ele não queria.
Os seus sentimentos e emoções eram guiados pelo medo de não poder controlar as situações e de voltar a sentir a dor da perda. Daí a compulsão de ter poder sobre o outro ou de controlá-lo.
O momento final da vida do Cidadão Kane
O seu medo de perda afetiva o levou a controlar as esposas, de modo a se tornar insuportável para elas. Com isso, perdeu a primeira e, depois, a segunda esposa.
No momento de sua morte, pegou uma bola de vidro contendo dentro a miniatura de uma cabana, que representava para ele a vida que teve antes com os pais.
E, ao deixar a bola de vidro cair, pronunciou a palavra “Rosebud”, deixando transparecer a importância da época em que se sentiu amado, até ser separado de sua mãe.
O que guiava a vida do Cidadão Kane era ligado ao Rosebud
O Rosebud era o símbolo do que ele perdeu e do que ele queria, mas não podia conseguir. Várias cenas do filme Cidadão Kane vão conduzindo a história para o triste final.
Ele não conseguiu controlar a sua vida, naquele momento em que sentiu a emoção de perda difícil de suportar. Não conseguiu permanecer na vida que queria com seus pais.
E passou a ter a compulsão de controlar a vida das pessoas, para que não voltasse a sentir aquela emoção de perda difícil de suportar.
No final, chegou ao oposto do que tanto queria
Não conseguiu controlar a esposa, para ficar com ele e voltou a sentir aquela emoção de perda difícil de suportar.
No fundo, o Cidadão Kane era guiado de modo obtuso e ineficaz para não voltar a sentir a dor de perda afetiva insuportável.
E foi a ela que, ao final, chegou. Isso é extremamente dramático. E é isso que, em síntese e ao extremo, ilustra a vida de muitas e muitas pessoas.
Temem algo, fogem de algo, se defendem de…
…. de algo, agem guiados pelo temor a algo e, por fim, atraem ou materializam isso. Vale a frase: “Atrai-se o que se teme”. Mas o oposto também é verdadeiro: “Atrai-se o que se deseja”.
Por isso, o efeito catastrófico de se sentir uma Emoção Difícil de Suportar é a vida da pessoa passar a ser guiada pelo seu temor e não pelo seu desejo.
O seu temor interno de voltar a sentir aquela Emoção Difícil de Suportar, aquela dor, aquela separação ou aquele medo de perda material, financeira.
Nossa reação a uma Emoção Insuportável
O motivo do retorno do Inferno da Dor e da Perda não ocorre por acaso. Ocorre causado pelo jeito como o nosso organismo reage a uma Emoção Difícil de Suportar.
Não ocorre por uma “motivação inconsciente de sabotar a si mesmo” ou Autossabotagem, que é ainda a visão que se tem sobre isso.
Ocorre por esta reação a uma Emoção Insuportável: a Aderência da Energia da Emoção Insuportável e a formação do Foco de Medo. E foi isso que mostrei neste artigo.
Não fomos programados para viver no inferno
O Drama da Vida das pessoas já pode ser revertido.
A dissolução de aderências da energia de Emoções Difíceis de Suportar já pode ser realizada sem uso de nenhum aparelho caro e complicado (além de não ter nada a ver).
E fazer o Engrama do Foco de Medo entrar em desuso, enquanto se cria outro com função oposta também pode ser realizado.
Um exemplo disso…
…é o que ocorre com um aluno que tem medo de falar em público e que, em menos de 24 horas de treinamento, sai com segurança para falar em público.
Em 19 horas, enquanto levamos o Engrama “do medo de falar em público” a entrar em desuso, criamos e automatizamos o Engrama “da segurança para falar em público”.
Sem uso de nenhum aparelho complexo e sem máquina para viajar no tempo…. Apenas com um treinamento tocando no ponto certo.
A reversão do drama do Cidadão Kane
A reversão do drama dele não seria uma tarefa fácil, pois a tendência dele seria querer controlar quem facilitaria a reversão dele.
Mas seria possível, principalmente ajudando-o a dissolver a energia daquela dor “desgraçadamente insuportável” da sua infância.
Dissolvendo energia, atuando na energia e não, em uma consciência perturbada, que resiste contra o fim daquilo que, para sua própria felicidade, precisa acabar.
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